quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Porque será que em 2009, quando a minissaia completou 45 anos de existência, uma jovem foi perseguida em São Paulo por 700 colegas nos espaços de uma faculdade e xingada de "puta" porque usava uma minissaia que não era curta e parecia bem decente?

Ao ver a cena na televisão fiquei perplexa e me lembrei da minha juventude quando usávamos minissaias bem curtas e nunca fomos assediadas ou maltratadas. Com apenas 30cm eram um simbolo de sensualidade e erotismo, sobretudo quando usadas com botas de cano longo e camisetas coladas ao corpo. A estilista inglesa Mary Quant, sua inventora em 1964, foi um ícone para a minha geração. Twiggy era a modelo que nos fazia sonhar por seu estilo moleque, irreverente e divertido. Usar uma minissaia era um depoimento a favor da liberdade feminina. Mary Quant gostava de dizer que:"A minissaia é sexy, mas jamais obscena. A moda serve para provocar o desejo."

No artigo "Minissaias de 1967", Ruy Castro escreveu que: " Não eram minissaias sóbrias, a menos de um palmo do joelho, como o vestido de Geyse(aluna repudiada). Eram muito mais curtas. E nenhuma das moças, por mais bonita, fazia aquilo para provocar. Elas eram modernas, liberadas e gostavam de namorar....todas eram divertidas, inteligentes e politicamente atuantes."

Atualmente, o erotismo (o amor sensual) foi substituído pela pornografia (o comercio do sexo). Vivemos rodeados por mulheres nuas e seminuas nos filmes, revistas e internet. O amor está em desuso e a delicadeza também.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Das muitas palavras escritas em homenagem à Claude Levi Strauss, as que mais me impressionaram foram ditas pelo próprio na passagem do seu aniversário aos 90 anos:

"Para mim, hoje, existe um 'eu' real, que não é mais um quarto ou mesmo a metade de um homem, e um 'eu' virtual, que conserva uma idéia do todo. O 'eu' virtual prepara um projeto de livro, começa a organizá-lo em capítulos e diz ao 'eu' real: ' Agora é a sua vez de continuar'. E o 'eu' real, que não consegue mais, diz ao 'eu' virtual, o problema é seu. Só você vê a totalidade.' Minha vida agora se passa em meio a esse diálogo muito estranho."

O processo do envelhecimento começa aos sessenta quando nos damos conta de que tudo é imperfeito e efemero. Nunca mais seguiremos cegamente um ideal, postura própria da juventude. Na velhice só a sabedoria pode nos salvar do estranhamento que cada dia nos assola.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009




"Não há outros paraísos senão os paraísos perdidos" é o que dizia o escritor Jorge Luís Borges.

Mas diante deste início do verão, com céu de brigadeiro e noites de lua cheia, eu de repente me senti no paraíso.

Anos atrás, o fotografo Nelson Kon antecipou esta sensação.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Como se protege uma vista?

"Tóquio teme perder vista do Fuji" é o título do artigo publicado no New York Times que denuncia como "o vulcão distante, o pico mais alto do Japão e principal símbolo nacional , tem sido cada vez mais bloqueado por arranha-céus".

Diante deste crime bárbaro,
os moradores de Nippori , o bairro medieval que sobreviveu a ocupação desordenada da cidade de onde é possível avistar o Fuji, formaram uma sociedade para tentar protegê-lo.

Como argumento, para convencer as autoridades e as empreiteiras a se conterem, eles utilizam as xilogravuras de Ukiyo-e, realizadas pelo pintor e gravador Utagawa Hiroshige durante o período Edo no século XIX.

Conhecidas como "As 36 Vistas do Monte Fuji", estas xilogravuras, talhadas e pintadas em blocos de madeira e impressas em papel, eram coloridas à base de água para conferir ao desenho fluidez e tons claros. O conjunto retrata o monte Fuji visto do campo e da cidade nas quatro estações.

Ukiyo-e, que significa "mundo flutuante" ou "a vida que passa", procura transmitir a idéia de que a vida é apenas um sonho passageiro. A delicadeza destes papéis coloridos desafia a violencia que prevalece no mundo moderno de primeiro construir e depois valorizar a beleza e a preservação.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"A jabuticabeira é nativa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Árvore de porte médio, suas flores são pequenas, brancas e aromáticas e seus frutos são bagas redondas de polpa doce, esbranquiçada. Os frutos surgem diretamente no tronco liso, nos ramos e até nas raízes descobertas." (Larousse Cultural)

Em 1583 Fernão Cardim no Tratados da Terra e Gente do Brasil escreveu que "nesta árvore se dá uma fruta do tamanho de um limão de seitil; a casca, e gosto, parece de uva ferral, desde a raiz da árvore por todo o tronco até o derradeiro raminho; é fruta rara, e acha-se somente pelo sertão e dentro da capitania de São Vicente."

Em 1816 Jean-Baptiste Debret descreveu a jabuticaba como um "fruto comum e refrescante, a casca é espessa, escura e luzidia; o caroço é grande; o suco adocicado, ligeiramente acidulado tem gosto de resina."

E, finalmente em 1818, Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philippe von Martius declararam que "a jabuticaba é considerada uma das melhores frutas do país."
Estas fotos foram tiradas em 20 de agosto de 2008 aqui em casa, quando finalmente floresceu a jabuticabeira. Algum tempo depois em 30 de setembro apareceram os frutos. Me lembro como as melhores jabuticabas que eu comi em toda a minha vida.



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

No caminho para o High Line, na rua 22, fomos conhecer a loja Comme des Garçons de Nova York. Esta grife japonesa fundada pela designer Rei Kawakubo nos anos 70 faz roupas anti-fashion, austeras e descontruídas. As roupas drapeadas em torno do corpo parecem mal acabadas com buracos e formas assimétricas.

Quando Rei Kawakubo lançou suas roupas em Paris nos anos 80 desafiou o conceito de beleza e de moda estabelecido e por isso os jornalistas nomearam o desfile como "Hiroshima Chic".

Seu negócio além de roupas e acessórios envolve o design grafico e o design de interiores pois acredita que tudo que faz sai de um único conceito.

Esta loja desenhada por ela fica numa rua sem comercio. Estavamos procurando-a quando chegamos nesta espécie de caverna que desemboca dentro da loja. No interior, muitas formas foram feitas com vidros temperado. O segurança pediu que tirassemos os óculos escuros porque muita gente bate a cara no vidro. Mal sabe ele que acabou fazendo uma propaganda danosa.