
Durante a viagem pelo Japão diversas vezes me surpreendi com a postura das crianças. Ao encontrá-las nos templos, excursionando com suas escolas para conhecer o patrimônio nacional, totalmente uniformizadas, numa época de intenso calor, não demonstravam, como era de se esperar, a menor menção de que fossem se desalinhar, arregaçar as mangas ou tirar os paletós.
Descobri que isto tem a ver com o estado zen, tão caro aos japoneses. Pode-se dizer que é a "
cultura do seiza e do seishi".
Seiza é sentar-se numa atitude calma, tranqüila, em repouso, silêncio e transparência, e seishi é um estado de espírito calmo, transparente e correto. Seiza é, então, a expressão de quietude do corpo, ao passo que seishi exprime a tranqüilidade do espírito.

Os japoneses passaram a usar o sistema seiza e seishi sobretudo nas artes como o teatro nô, o poema haikai, o arranjo floral ikebana e a cerimônia do chá a partir dos fins do século XIV, quando a atitude zen foi totalmente incorporada à vida cotidiana do país.
Estes elementos da cultura japonesa qualificados com a palavra "caminho" — caminho das artes militares, caminho das flores, caminho do chá - são aperfeiçoados e sublimados graças ao emprego do seiza.
A partir dos três anos, as mães fazem os filhos praticarem seiza consigo, sentados em cadeiras, eretos, calados, respirando ritmicamente. Essa prática diária pode continuar até os vinte anos e chega a ter uma hora de duração. Considera-se, então, terminado o aprendizado de boas maneiras.
Zen quer dizer: "pensamento tranqüilo".
Dizia o poema:
"Para aquele que pratica o zen
As pessoas que passam pela ponte
São aquilo que são."
A tranqüilidade mental consiste em ver a realidade exatamente como ela é.