
Porque será que em 2009, quando a minissaia completou 45 anos de existência, uma jovem foi perseguida em São Paulo por 700 colegas nos espaços de uma faculdade e xingada de "puta" porque usava uma minissaia que não era curta e parecia bem decente?
Ao ver a cena na televisão fiquei perplexa e me lembrei da minha juventude quando usávamos minissaias bem curtas e nunca fomos assediadas ou maltratadas. Com apenas 30cm eram um simbolo de sensualidade e erotismo, sobretudo quando usadas com botas de cano longo e camisetas coladas ao corpo. A estilista inglesa Mary Quant, sua inventora em 1964, foi um ícone para a minha geração. Twiggy era a modelo que nos fazia sonhar por seu estilo moleque, irreverente e divertido. Usar uma minissaia era um depoimento a favor da liberdade feminina. Mary Quant gostava de dizer que:"A minissaia é sexy, mas jamais obscena. A moda serve para provocar o desejo."
No artigo "Minissaias de 1967", Ruy Castro escreveu que: " Não eram minissaias sóbrias, a menos de um palmo do joelho, como o vestido de Geyse(aluna repudiada). Eram muito mais curtas. E nenhuma das moças, por mais bonita, fazia aquilo para provocar. Elas eram modernas, liberadas e gostavam de namorar....todas eram divertidas, inteligentes e politicamente atuantes."
Atualmente, o erotismo (o amor sensual) foi substituído pela pornografia (o comercio do sexo). Vivemos rodeados por mulheres nuas e seminuas nos filmes, revistas e internet. O amor está em desuso e a delicadeza também.




