Assim que me inscrevi no mestrado, Júlio Katinsky fez uma lista de dez livros que eu devia ler para iniciar a minha formação nesta nova etapa. Eram sobretudo livros de arquitetura mas havia entre eles "O Segundo Sexo" de Simone de Beauvoir. Escrito em 1949, numa época em que o termo feminismo ainda não existia, era uma análise consistente da condição da mulher.Simone de Beauvoir desde moça desejou livrar-se de suas origens burguesas. Ao invés de casar, uniu-se ao filósofo Jean Paul Sartre e manteve com ele uma relação aberta (com vários parceiros) e uma interlocução inspiradora. Rejeitou a função materna e dedicou a maior parte de sua vida à escrita.
Nos anos 60 e 70,"O Segundo Sexo" tornou-se uma espécie de bíblia do movimento feminista, que aparecia com força total na Europa e Estados Unidos, e pregava a igualdade entre os sexos. No Brasil, devido a ditadura militar, as mulheres contestavam sobretudo os valores provincianos em que haviam sido criadas. Nascia, então, uma geração de mulheres responsáveis por um novo padrão social.
Ler este livro foi um bálsamo. Era a prova de que o Júlio Katinsky avalizava o meu projeto de alçar um vôo solo. Começar o meu trajeto pela pesquisa e escrita dos livros. Superar os limites próprios ao meu sexo através da escrita.
O que mais me impressionou neste livro foi a demonstração de que só através do casamento
a mulher dava sentido a sua vida. E que este ideal de felicidade se materializava com a casa. Cabia a ela dar a seu "interior" sentido. Já ao homem era indiferente o ambiente em que vivia. A casa era apenas o abrigo contra o frio e um teto sob o qual dormia. E era somente em si mesmo que encontrava um lar quando realizava obras ou atos.
Na FAU eramos todos companheiros, tínhamos os mesmos privilégios e nunca nos sentíamos inferiores por sermos mulheres. Mas era um mundo masculino, havia pouco espaço para a diferença. Estudar a casa foi a minha maneira de exercer a minha feminilidade.
1 comentários:
Olá, Marlene, devemos considerar que o Julio por vezes acerta, pelo caminho errado.
N' O Segundo Sexo há coisas para ser refletida, pensar que que ter relação aberta é ser moderna (Sec. XV), é outra coisa, chamo isso de.. deixa prá lá.
Sabemos que o movimento feminista remonta a tempos mais antigos, com fatos esclarecedores da condição da mulher, sendo relegada a um plano abaixo do segundo.
Aí reflito, perfeita sua reflexão sobre o casamento, não é só no aspecto feminino.
Penso, o homem ( macho da espécie) alcança a tranquilidade para exercer seu pensamento criador, só com a certeza que seu abrigo está seguro, sua família está cercada pela guarda da mulher.
Só concordarei com vc. com o homem indiferente se esse for fraco.
Ƨs
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