Na casa de Ivo Viterito de 1962, Vilanova Artigas lançou a idéia do edifício genérico, modelo da fábrica, da escola, da agência bancária ou de qualquer outra construção.A casa foi implantada, num pequeno lote, ao nível da rua como térrea, para liberar o espaço e conquistar dimensões mais generosas.
A cobertura é uma laje nervurada apoiada em vigas laterais com vão igual aos balanços, articulados aos quatro pilares com juntas de neoprene. Nas laterais da casa, vigas-empenas de concreto dirigem a vista para o jardim, que é incorporado ao espaço da sala.
No andar de baixo, para aproveitar o desnível do terreno, em "subsolo", e portanto sem recuo lateral obrigatório, os dormitórios ocupam toda a largura do terreno.
Sobre o projeto desta estrutura Artigas me escreveu que:
"Só a cobertura foi calculada fora do nosso escritório. Quem fez o cálculo foi meu amigo Roberto Zuccolo, e de ''graça'', a fim de que nós pudéssemos construir a casa sem cobrar muito "'projeto". O resto de cálculo, fundações, etc., eu mesmo fiz. Roberto Zuccolo achou graça nesta estrutura ser aplicada a uma residência e calculou para mim. Ela é assim:
Essas articulações fui eu que introduzi, desde a casa de barcos (garagem de barcos do Santa Paulo Iateclube), por causa de efeitos de temperatura e outros efeitos, a fim de que as cargas nas fundações fossem verticais e portanto mais simples de serem controladas no chão sem baldrames."A idéia da estrutura definir a expressão formal, nesta casa, é levada às últimas consequências.
Aí, já não é mais o projeto da casa que está em jogo, mas a oportunidade do ensaio para projetos de maior vulto. Também, neste exemplo, Artigas estabelece uma postura radical no tratamento do lote urbano, valorizando o espaço interno.
Este modelo atrairá muito seus discípulos, segundo Artigas seus colegas "viram nela algumas qualidades que nós poderíamos transformar em soluções para a casa paulista".
Mas do ponto de vista da moradia é o mais árduo: morar num edifício genérico.
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