domingo, 14 de dezembro de 2008

Na casa de Ivo Viterito de 1962, Vilanova Artigas lançou a idéia do edifício genérico, modelo da fábrica, da escola, da agência bancária ou de qualquer outra construção.

A casa foi implantada, num pequeno lote, ao nível da rua como térrea, para liberar o espaço e conquistar dimensões mais generosas.

A cobertura é uma laje nervurada apoiada em vigas laterais com vão igual aos balanços, articulados aos quatro pilares com juntas de neoprene.

Nas laterais da casa, vigas-empenas de concreto dirigem a vista para o jardim, que é incorporado ao espaço da sala.
No andar de baixo, para aproveitar o desnível do terreno, em "subsolo", e portanto sem recuo lateral obrigatório, os dormitórios ocupam toda a largura do terreno.
Sobre o projeto desta estrutura Artigas me escreveu que:
"Só a cobertura foi calculada fora do nosso escritório. Quem fez o cálculo foi meu amigo Roberto Zuccolo, e de ''graça'', a fim de que nós pudéssemos construir a casa sem cobrar muito "'projeto". O resto de cálculo, fundações, etc., eu mesmo fiz. Roberto Zuccolo achou graça nesta estrutura ser aplicada a uma residência e calculou para mim. Ela é assim:

Essas articulações fui eu que introduzi, desde a casa de barcos (garagem de barcos do Santa Paulo Iateclube), por causa de efeitos de temperatura e outros efeitos, a fim de que as cargas nas fundações fossem verticais e portanto mais simples de serem controladas no chão sem baldrames."
A idéia da estrutura definir a expressão formal, nesta casa, é levada às últimas consequências.
Aí, não é mais o projeto da casa que está em jogo, mas a oportunidade do ensaio para projetos de maior vulto. Também, neste exemplo, Artigas estabelece uma postura radical no tratamento do lote urbano, valorizando o espaço interno.
Este modelo atrairá muito seus discípulos, segundo Artigas seus colegas "viram nela algumas qualidades que nós poderíamos transformar em soluções para a casa paulista".
Mas do ponto de vista da moradia é o mais árduo: morar num edifício genérico.

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