segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Quando Artigas soube que eu estava catalogando as residências de São Paulo, construídas durante as décadas de 50, 60 e 70, enviou um artigo em que mencionava a importância da casa popular e de como o povo seria o cliente ideal, capaz de proporcionar trabalho para todos, embora ainda naquele momento se encontrassem rigorosamente afastados. Há anos, ele preparava os arquitetos para assumirem tarefas socialmente mais importantes.


O recado, embora contundente, não me convenceu. Valorizar a casa era revelar a contradição imposta pelo cotidiano do arquiteto à sua formação. Na prática, a casa é muitas vezes a única ocasião para o profissional experimentar. E, a minha convicção de que encontraria neste estudo uma arquitetura com características próprias animava a minha determinação.


Sempre ouvi dizer que Vilanova Artigas, ao longo de sua vida, chegou a projetar e construir mais de trezentas residências. Para entender a sua trajetória escolhi cinco casas, consideradas pelos discípulos como modelos de sua arquitetura. Cada uma representa etapa diversa de seu trabalho e de suas preocupações. Em quase todas realizou "o projeto completo"', desde o cálculo das fundações até a construção, pois como engenheiro-arquiteto, possuía os instrumentos para tal disciplina. Este jeito de projetar é visível também em seus alunos, homens de prancheta, quase operários.

2 comentários:

luciano l. basso disse...

Sra. Marlene, tua iniciativa em registrar parte de tuas memórias entre em um blog é louvável, teus textos têm sido leitura obrigatória.

um forte abraço
luciano

Anônimo disse...

Olá Marlene!
Assinei o feed do seu blog e a cada atualização venho rapidinho ler o que foi escrito.
Parabéns pela iniciativa.
Te faço uma pergunta que imagino ser muito comum, e talvez, uma chateação constante.
Quando sairá uma reedição do livro sobre as casas?
Por favor, nos dê a oportunidade de ter esse livro. Ou nos explique o que impede que isso aconteça?
Saudações cordiais! Boa sorte com o blog.