No filme "Everthing is Art", sobre a vida dos artistas alemães Anni e Josef Albers, identifiquei valores fundamentais para a minha formação como arquiteta.Albers nasceu numa família de artesãos, de quem herdou a tradição de fazer cuidadosamente qualquer objeto. Diante de uma tela em branco, apertava a tinta diretamente do tubo e a espalhava com uma espátula o mais fino possível. Neste ato, para não borrar, para não sujar a manga da camisa, ensinava que era preciso começar a pintar do meio para as bordas. Aprendizado que teve com o pai, um pintor de paredes. Ao terminar a tela, descrevia minuciosamente no verso as cores e as marcas das tintas empregadas.
Para ele, as cores não existiam de forma independente, só na correlação que estabeleciam entre si. Assim, uma cor pastel adquiria brilho se estivesse próxima a uma cor que propiciasse tal efeito. Combinar cores nunca foi seu objetivo, pois acreditava que todas conversavam entre si. E que, duas cores, quaisquer, poderiam sempre criar uma relação instigante.
Foi um dos primeiros artistas modernos a pesquisar os efeitos psicológicos da cor e do espaço. Questionou, então, a natureza da percepção. Costumava dizer que duas pessoas, ao ouvir a palavra vermelho, nunca imaginavam a mesma cor. E que, "como alguns homens preferiam as loiras", as pessoas também tinham preferência por certas cores em detrimento de outras. E, isto se aplicava, também, à combinação das cores.
O momento mais importante de sua formação aconteceu a partir de 1923 quando tornou-se professor da Bauhaus e ficou responsável pelas aulas de design de móveis, desenho e caligrafia. Trabalhou, então, em parceria com outros artistas como Klee e Kandinsky, arquitetos como Walter Gropius e Mies van der Rohe e artesãos, que procuravam aliar a técnica e a arte para desenvolver o desenho industrial.

Nestes anos da Bauhaus, casou-se com a sua aluna Anni. Diz a lenda que para a cerimônia foi à uma loja onde escolheu um terno cinza, com uma camisa cinza e para completar o costume pediu uma gravata cinza. O vendedor chocado disse-lhe: "o senhor não entende de cores".
Em 1933, com o fim da Bauhaus, o casal foi resgatado pelo arquiteto americano Phillip Johnson que os levou para os Estados Unidos para lecionar no Black Mountain College, uma escola experimental cujo princípio era que a arte integrava todo o tipo de aprendizado. Reduto de artistas como Merce Cunnigham, John Cage, Rauschemberg e Buckminster Fuller, Albers que era um professor totalmente perfomático dava aulas enebriantes e levava os alunos à um mundo totalmente novo. Não os ensinava a pintar, só a ver.
Anni descreve a chegada no Novo Mundo como um momento mágico, quando avistaram a Estátua da Liberdade depois de uma viagem turbulenta em que deixaram o Velho Mundo e todo o seu passado. Chegaram nas festividades do Thanksgiving, e Albers totalmente encantado com a folhagem outonal em diversos tons de vermelho começou a enquadrar as folhas secas em fundos coloridos.
Phillip Johnson relata que Anni era capaz de fazer os tecidos mais fantásticos com caimentos perfeitos usando cobre e vários tipos de materiais. Nos Estados Unidos, a partir do que havia aprendido na Bauhaus, tornou-se a tecelã mais importante do século XX.A partir de 1950, Albers começou a fazer a sua "Homenagem ao Quadrado" uma série de telas nas quais quadrados sobrepostos com cores diversas provocam ilusões óticas.
Vi e aprendi tudo isto nas exposições da Pinacoteca - Anni e Josef Albers, Viagens pela América Latina - e do Instituto Tomie Ohtake - Josef Albers, Homenagem ao Quadrado.
1 comentários:
Marlene,
Lembrei-me do mural no térreo do Pan-Am Building (de Gropius, 1963) em New York.
Ilumina, alegra, acentua o ritmo e o movimento da galeria que da Quinta Avenida leva à Grand Central Station.
Veja em:
http://www.albersfoundation.org/images/iGallery/poppages/i690.htm
Beijos
Marcos
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